Vinhos Verdes: Uma Joia Escondida

Terroir

Vinhos Verdes: Uma Joia Escondida

Queria que a primeira história desta rubrica fosse uma história representativa, sobre a região em si: o que são os Vinhos Verdes, porque são tão pouco falados, porque continuam fora da órbita de roteiros turísticos. Talvez sejam esses os fatores que os tornam tão exclusivos.

Geografia

Dois centros urbanos e uma região adormecida entre eles

Olhando para o mapa deparamo-nos com um cenário: os Vinhos Verdes ficam entre o Porto e Vigo, cada um com o seu próprio aeroporto internacional. O Porto é uma porta de entrada já estabelecida para turistas de várias partes do globo. Vigo, apesar de não se poder equiparar em número de chegadas, é reforçado por Santiago de Compostela e A Coruña, ambos ao alcance de quem estabeleceu a Galiza e o noroeste da Península Ibérica como destino.

A maioria das pessoas que chega ao Porto de avião acredita que o Douro fica mesmo ali ao lado. Se utilizarmos o Pinhão como referência, essa viagem tarda 1h40, enquanto a Régua está a sensivelmente 1h20. Referencio estes dois destinos por serem ponto de passagem obrigatório a quem visita o Douro vinhateiro.

Noutra perspetiva, Monção e Melgaço, junto à fronteira espanhola, a sub-região mais distante da cidade do Porto, fica a uma distância similar. A partir de Vigo, essa viagem é apenas de 40 minutos. Mas essa comparação falha no que realmente interessa. Os Vinhos Verdes têm nove sub-regiões, não uma só. Grande parte delas fica mais perto da cidade do Porto do que qualquer sub-região do Douro. Ave, Amarante e Cávado: todas a cerca de trinta minutos do Porto. No conjunto, os Vinhos Verdes são simplesmente a região mais próxima. A diferença em como cada uma parece "alcançável" tem mais a ver com marketing do que com quilómetros. Uma região tem contado bem essa história. A outra está a deixar-se descobrir aos poucos. Haverá um artigo futuro sobre como estas duas regiões se comparam. Por agora basta afirmar que a distância dos lugares é algo percebido e que, neste momento, 1h40 de viagem para o Douro parece mais próximo do que 30 minutos para os Vinhos Verdes.

Diversidade

Nove sub-regiões, nove identidades distintas

O que distingue os Vinhos Verdes de quase todas as outras regiões vinícolas do país é recusar-se a ser uma coisa só. Tem nove sub-regiões. E digo isto como mais do que um detalhe administrativo. Os Vinhos Verdes movem-se entre serras e costa atlântica dentro da mesma região vinícola. Encontram-se vales escarpados que lembram o próprio Douro, socalcos talhados em granito com um rio a correr lá em baixo e, a poucos quilómetros de distância, cumeadas expostas moldadas pelo vento vindo direto do mar. Cada paisagem produziu o seu próprio estilo de vinho, a sua própria comida, os seus próprios costumes, a sua própria forma de falar, cozinhar e receber um visitante.

Viajar pelos Vinhos Verdes parece visitar diferentes países dentro da mesma região.

O Vinho

Um vinho mal apelidado pelo seu próprio sucesso

Há uma pequena ironia que gosto de contar às pessoas quando as introduzo à região: o termo "vinho maduro", usado em todo o país para descrever qualquer vinho que não seja da região dos Vinhos Verdes. É um rótulo estranho, porque todo o vinho, por definição, é feito a partir de uvas maduras. Vinho faz-se sempre com uvas maduras, nunca com uvas verdes. Mas como esta região carrega o nome de uma cor, o país precisou de uma palavra para tudo o resto. "Maduro" pegou.

Durante muito tempo, Vinhos Verdes significaram uma coisa só: vinhos jovens, frescos, leves, para beber no mesmo ano, caracterizados pela sua acidez vibrante. Esse vinho continua a existir e continua maravilhoso, mas é apenas um dos inúmeros perfis que a região produz e já não é a história toda. Os produtores daqui têm passado os últimos anos a experimentar: estágio em barrica, bâtonnage, fermentação malolática, técnicas que pareceriam fora de lugar há uma geração. O resultado é claro: estas castas conseguem ir muito além da sua reputação. Alguns destes vinhos envelhecem com uma longevidade que convida à comparação com um bom Riesling. Também os espumantes da região têm ganho mais atenção, ao ponto de rivalizarem com os grandes espumantes mundiais. De sub-região para sub-região, os brancos mudam de carácter. Os tintos, ainda raros fora da região, têm uma acidez e um perfil sem equivalente no resto de Portugal.

Essa versatilidade importa para além do copo. Ao falar com produtores desta região percebe-se que uma fatia cada vez maior do que produzem sai do mercado interno para mercados que, há uma década, pareceriam inimagináveis, com Coreia do Sul, Japão, Dinamarca, Noruega, Estados Unidos e Brasil entre eles. É também a ideia exata por trás das nossas Experiências: mostrar que estes vinhos nunca foram feitos apenas para acompanhar a cozinha regional e nacional. Quando bem selecionados, harmonizam com comidas de qualquer parte do mundo.

As Pessoas

Uma região genuinamente hospitaleira

As pessoas do Minho têm uma hospitalidade que não é ensaiada. Têm orgulho na sua terra de uma forma que quase toca a teimosia. Defendem-na como se fosse uma extensão de si próprias. São espontâneas, generosas com o seu tempo, rápidas a sentar-te numa mesa em família. Em grande parte, ainda não estão prontas para todos os segmentos de turismo que esta região virá a ter. Muitas das quintas, restaurantes e pequenos negócios da região nunca tiveram de pensar em receber um certo tipo de visitante internacional, tendo-se adaptado apenas ao turista fronteiriço como forma de internacionalizar os seus serviços. Isso não é uma crítica. É, neste momento, o maior trunfo da região.

É essa despreparação que mantém tudo genuíno, moldando paisagens que ainda parecem talhadas por gerações de mãos, esquecidas pelo tempo, algures entre terra que as pessoas trabalham há séculos e cantos que ninguém se deu ao trabalho de tocar. Chegará o dia em que isto vai mudar, tal como acontece com qualquer lugar por descobrir. Mas, por agora, os Vinhos Verdes continuam aqui, neste cantinho, a produzir produtos enogastronómicos de excelência, culturalmente diversificados e acessíveis financeiramente.

É esta a região que queremos partilhar, uma sub-região e uma história de cada vez.

— Green Odyssey

Pronto para veres com os teus próprios olhos?

Cada tour da Green Odyssey é construído à volta de uma sub-região e dos produtores que a moldam. É aqui que a história continua.

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